Pequenos apontamentos sobre o comportamento dos materiais, a física dos edifícios, a história da arquitectura em Moçambique e as regras não escritas da boa construção tropical.
Das fundições de Glasgow às olarias tradicionais: como o detalhe artesanal das grades de ferro forjado protegeu e embelezou os sobrados e vilas de Moçambique.
Ao contrário do cimento que é impermeável e acumula condensação, a terra respira: absorve o excesso de humidade nas horas abafadas e liberta-a quando o ar seca.
Todos os materiais se expandem com o calor e contraem com o frio. Se não deixarmos espaços milimétricos programados, as paredes esmagam-se mutuamente.
Como o arquitecto fundiu a arte tribal africana com o cálculo estrutural de cascas delgadas de betão para criar edifícios que parecem animais míticos vivos.
Quando a luz solar atinge o vidro de uma janela, o calor fica aprisionado no interior. O brise-soleil actua como um guarda-sol de alta precisão que impede o contacto térmico.
Diferente das vielas medievais europeias, a Baixa de Maputo foi traçada sobre um aterro ordenado em quarteirões regulares para permitir a passagem livre dos ventos e escoamento das marés.